E produção parada não espera o time de TI terminar a análise.
Quando um atacante acessa um sistema corporativo, o prejuízo costuma aparecer como sistema fora do ar, vazamento ou extorsão.
Quando ele acessa a tecnologia que controla máquinas, sensores, bombas, irrigação e refrigeração, o risco muda de tamanho.
Essa tecnologia se chama OT, ou tecnologia operacional. É a parte da tecnologia que mexe no mundo físico. Linha de produção, câmara fria, irrigação, climatização, energia, esteira, motor.
Dentro desse universo existe o SCADA.
Pense nele como o painel de controle da operação. Ele mostra temperatura, umidade, pressão, vazão, alarmes e status dos equipamentos. Em alguns casos, também permite ligar, desligar e ajustar processos à distância.
Em uma estufa industrial, isso pode significar controle de temperatura, radiação, refrigeração, bombas, fluxo de água e zonas inteiras de cultivo.
Esse ambiente sustenta produção.
O problema é que muitos desses sistemas foram criados para operar bem. Depois ganharam acesso remoto, manutenção externa, integração com fornecedores, VPN esquecida, senha compartilhada e painel exposto na internet.
No escritório, uma credencial fraca pode virar acesso indevido.
No campo, pode virar bomba desligada, câmara fria fora do padrão, irrigação interrompida ou ciclo produtivo perdido.
É aqui que produtor, empresário e investidor precisam virar a chave.
Quando a tecnologia controla o físico, segurança vira continuidade operacional.
A pergunta que eu faria hoje é simples.
Quem consegue acessar remotamente os sistemas que mantêm sua produção viva?
Henrique de Souza
Estrategista em Cibersegurança, Gestão de Riscos Digitais e Continuidade de Negócios




